
Que as pessoas acreditam em quase tudo o que lêem, eu já sabia. Mas fiquei impressionada com o número de respostas que recebi por causa do post sobre a gripe suína. O texto foi uma brincadeira, coisa que inventei da minha cabeça e, mesmo assim, recebi diversos e-mails e comentários de pessoas que me levaram a sério.
É engraçado isso. Quero dizer… Se já acreditaram em mim quando eu era uma estudantezinha que escrevia merda no blog, imagina depois que eu tiver um diploma!?
Por isso, resolvi escrever um post de alerta antes que seja tarde demais. Baseada em algumas experiências pessoais ao longo destes 4 anos de curso, formulei três questões essenciais para não acreditar em jornalistas. Acredite se quiser.

Por favor. Um minuto da sua atenção.
1) Ignorância latente
Jornalistas não são entendedores. Não entendem de política, artes, ciências, culinária, medicina, esportes, cinema, cultura, nada! Aliás. Pode até ser que talvez um ou outro hipoteticamente tenha alguma especialização. Mas, ainda assim, isso não faz dele um entendedor. A função do jornalista é – ao meu ver – filtrar e repassar informações.
E aí que ferra tudo.

Ah... Eu faço de tudo um pouco, sabe?
Como alguém pode filtrar algo que não entende?
Vou dar um exemplo. Semestre passado, fiz uma reportagem sobre uma pesquisa do Departamento de Microbiologia da UFV para uma disciplina da faculdade. Coisa bem técnica mesmo. Reações químicas, bacteriocinas, peptídeos e coisa e tal. Acompanhei todo o processo no laboratório e descrevi o que eu vi. Até aí, tudo bem (inclusive, pedi para a pesquisadora corrigir o texto para garantir que nada ficasse errado). Tudo certinho e nos conformes.
Maaaaaaaaaaas… o professor (editor) teve que dar uns pitacos antes de publicar a matéria. Ele achou que alguns termos deveriam ser corrigidos para facilitar o entendimento dos leigos.

Colar bonito! Você que fez?
Por exemplo: eu deveria substituir ácido lático por ácido do leite.
BRILHANTE!!!
Para quem não lembra das aulas de biologia no colégio, o ácido lático é aquele provoca dores musculares quando fazemos algum exercício físico muito intenso. Ou seja, ácido do leite my ass. Ele não sabia do que estava falando. Ele supôs. E, assim como o coiso, tem muito jornalista supositório por aí.

Como absorver notícias corretamente.
OBS: Devo ressaltar que o dito cujo supostamente tem uma especialização em jornalismo científico.
2) A objetividade idiota
Preciso mesmo dizer que nenhum jornalista é objetivo e imparcial? Vamos pensar na anta citada acima. Ele aprova pautas para reportagens. Não só aprova, como também escreve algumas de vez em quando.

E agora você saberá tudo por telecinese.
Para quem não sabe, pautas são roteiros para jornalistas seguirem e escreverem as suas matérias. Ou seja, uma receita de como produzir uma reportagem. Isso inclui indicações do que o repórter deve fazer, as pessoas que deve ouvir, que perguntas fazer, etc.
Ótimo. Qual o problema?
Bem. Uma pauta bem produzida é praticamente a matéria pronta. Com angulação e tudo mais. Agora, se já concordamos que jornalistas não são entendedores, como eles podem produzir pautas sem saber direito sobre o que estão falando?
Ah, Elisa! Mas quando o jornalista for fazer a reportagem, ele descobre!
Pois é. E aí entra a terceira questão.
3) Citar fontes não é garantia
Esse é um erro muito comum. Se você pensa que uma reportagem é verdade só porque médicos, psicólogos, cientistas e criadores de hipopótamos falam que é, então precisa rever os seus conceitos.

Tá pensando o quê? Claro que minhas fontes são confiáveis!
Lembram daquela propaganda da Folha de São Paulo com o Hitler? Se não lembram, por favor assistam:
É bem por aí mesmo. Dá para argumentar a favor ou contra qualquer idéia. Fontes, na verdade, são a desculpa que o jornalista tem para se isentar de um eventual erro. “Não fui eu que falei isso, foi a fonte.”
4) A vantagem da mentira
Eu não tenho nada contra a mentira. Acho que, em geral, a ficção ensina muito mais do que a realidade.
Quantos de vocês já se emocionam com imagens de bombas caindo na Palestina? Não dá para se emocionar! As cenas da vida real são banalizadas. Por outro lado, eu me acabei de chorar em “Meu pai virou um boneco de neve”.

Juro que é triste! Ele derrete no verão!
Nelson Rodrigues também acreditava que um pouco de mentira, de ficção, dava mais sabor às notícias.
“Não sei de vocês se lembram do meu ponto de vista. Baseado em toda a minha experiência jornalística, sustento que nada mais falso, nada mais apócrifo, nada mais cínico do que a entrevista verdadeira. Por outras palavras, a entrevista verdadeira é uma sucessão de poses e de máscaras. Ao passo que a ‘entrevista imaginária’, pelo fato de ser imaginária e irresponsável, não mente jamais. E o leitor fica sabendo de tudo o que o entrevistado pensa, sente e não diz, nem a muque.”
PS: Sobre o útimo post, apesar de toda a palhaçada, surgiram alguns debates bem legais sobre o que é realidade e o que não é. Vale a pena refletir sobre os comentários do João Paulo, do Joe Oker, da Mônica e do Monkey.



Nunca acreditei mesmo! huhuahuahua
você vai longe sem sair do lugar o.o
meu orgulho de ser jornalista é poder criticar a profissão e os profissionais com os olhos de quem passou 4 anos tendo as aulas que a gente teve, com os professores que a gente teve. (e a gente ainda podia escolher entre fazer algo bem feito e algo jogado (como eles jogavam nas aulas).
com certeza não são só três os motivos, mas esses aí já dizem muito.
Jornalistas… Não confie neles!
Temos experiência para falar, né Elisa?
uhaiehiauhuihehauiheiua
e sim, eu escrevi tudo errado. uhul, viva!
Ótimo resumo do “pq não acreditar em jornalistas”
Acho que é bem por aí mesmo…
Quase ninguém entra e sai da faculdade de jornalismo com a mesma versão romântica da profissão, e seria ótimo se mais gente começasse a ver as coisas por outro ângulo.
ps:
tb fiquei impressionada com o número de comentários no outro post…
eu achei o texto gênial e hilário e repassei o link pra um monte de gente no msn ler tb, mas não sei quem levou história a sério ou na brincadeira.
Recomendei seu post como base pra uma reportagem sobre o assunto “gripe suína” durante uma conversa com um jornalista daqui de Cataguases. Desculpa, eu não resisto a essas coisas, é como zoar a wikipedia e fazer as crianças terem notas baixas na escola…
HAUEhAUEhauheuAHEuhAUEhauehUA! Você não presta!
Pq os 3 motivos são 4??????
Foi para testar a inteligência de vocês.
Mentira.
É porque eu não sei contar. aheuaheuahue…
Iam ser só três motivos e eu escrevi o quarto de última hora depois que já tinha colocado o título. Nem me toquei. HUAHEUHueHAUeAUE
Parabéns, Francis! Parece que você foi o único que leu o texto até o final!
Elisa, vocês está super afiada. Gostei dos dois últimos textos.
Grande abraço
nossa menina vc vai longe!!!!!!!!!!!
Excelente post, Elisa.
E como se não bastasse a qualidade do texto, você ainda fecha com esse filme da Folha de S. Paulo que é, sem dúvida, uma das melhores propagandas brasileiras de todos os tempos. Pena que quem o postou na youtube datou o filme incorretamente, que é, na verdade, de 1987 e não 1997 como consta lá. Mas tá valenso, semk dúvida.
Bjos
parabens de novo…
e sim, por um momento me deixei levar pelo texto da gripe suina…rsrs
mas sabes que mesmo que sejam informaçoes falsas das artimanhas das empresas para fomentar suas economias e coisas do tipo, nao sao sem sentido nao…
se pesquisarmos bem a coisa da maquina financeira e sua historia veremos que ela foi criada em cima de principios como esses pensamentos(cúmulos) capitalistas…
tbm nao sou entendedor de nada assim como os(as) amigos(as) jornalistas,
somente um humano em busca de, senao verdade, ja que talvez ela seja relativa, equilíbrio, luz, paz…
(e claro, tbm uma desculpinha pela ansiedade que me fez comentar(gripe suina)antes de ponderar mais…
Prazer “encontrar” vc na net!
sorte!
luz!!
mas…e agora, acreditamos em vc ou nao??
rsrsrs brincadeirinha…
[...] Antes de continuar, gostaria de lembrar que namoro há quase dois anos e as táticas de que vou falar são as que eu usava na minha época de solteira. Inclusive com ele (hehehe). As situações descritas abaixo são fictícias e devem ser adaptadas de acordo com cada pessoa. (Notaram a minha entonação acadêmica de expert no assunto? É que sou uma quase jornalista). [...]
Existe uma frase de uma professora-jornalista da faculdade que formei que não tiro da minha cabeça: “Jornalista tem um oceano de conhecimento, mas com um centímetro de profundidade”.
Pois é.
“JORNALISTA É PROIBIDO DE FALAR A VERDADE, MAS NÃO DE IMPROVISAR.”É POR ISSO QUE NÃO PRECISAM DE DIPLOMA UNIVERSITÁRIO.
Ola Elisa!! Descobri seu blog, fiquei curioso e li essa sua materia sobre os 3 Motivos para não acreditar em um Jornalista. Achei bacana a materia, cheia de senso crítico… porém acho q o ”tiro saiu pela culatra” pois eu vi q vc ta estudando pra ser jornalista mas nessa materia vc tira praticamente toda a credibilidade da função de um jornalista , nos instigando a não acreditar em seu trabalho. Apesar disso gostei do blog e confesso que também sou as vezes crítico demais com as coisas chegando a beirar pelo cetissismo. Mas lembre -se: ”O senso crítico é o termômetro da razão”. Estou aberto pra esse tipo de discussão. Estou te seguindo no Twitter, se puder me segue la. @mathielmetal
Abraço!!!
O texto ficou interessante, tanto que ele foi vampirizado o para o blog Fronteira Aberta. Caso não tenha gostado da ação, avise, deixe um comentário que ele será retirado.
Abraço
fronteiraaberta.blogspot.com/
Viagen esse texto principalmente o video… Eu também odeio o fato da midia ser tão exagerada nas noticias
Mto boa, só não entendi bem o 4º motivo, mas se vc quer dizer que a mentira corre solta, tb concordo. O caso que vc cita, da ignorância do editor que no caso era seu professor, é engraçada e ilustrativa. O problema é que são interesses, e não a ignorância, que alteram as informações na mídia tradicional.