Quando eu fiz ventar

16 03 2009

É o tipo de coisa que quando eu conto, ninguém acredita… Mas eu realmente fiz ventar quando era criança. Não foi sonho e eu lembro da cena perfeitamente. Era outono, a grama em frente à minha casa estava cheia de folhas mortas e eu estava entediada. Levantei os braços e falei: venta. Ventou. As folhas voaram por todos os lados e quando eu abaixei os braços, parou de ventar. Repeti a experiência algumas vezes para ter certeza que não tinha sido só coincidência e a mesma coisa aconteceu todas as vezes. Foi a única vez. Eu tinha uns 7 anos. Mas não foi só isso.

Lembram de My Little Pony? Pois é. Eu, como quase toda garotinha de cinco anos, queria um. Só que eu achava que esse negócio de ficar pedindo brinquedo para os pais estava muito ultrapassado. Pra quê? Pedir para as estrelas era muito mais divertido. Então, um belo dia, fui para a janela ter uma conversa com as senhoras lá de cima. Expliquei a situação tim tim por tim tim, uma explanação muito bem embasada sobre os benefícios de se ter um pequeno pônei.

Depois da conversa, saí da janela e fui procurar onde as estrelas tinham escondido o meu brinquedo. Procurei por todos os cantos da casa. Embaixo de todas as camas, dentro de todas as gavetas e armários, atrás do sofá, dentro do microondas… Pensa qualquer lugar. Pois é. Eu procurei.

E sabe o que aconteceu?

Eu não encontrei o pônei. Claro. E fiquei bem triste… Poxa! Se as estrelas podiam transformar o Pinóquio em um menino de verdade, porque não podiam me dar um mísero pônei de brinquedo?

Mas as estrelas compreenderam a minha revolta. Algumas semanas depois, enquanto eu brincava em uma das caixas de areia do bairro, encontrei um pequeno pônei azul com o cabelo vermelho. Tá certo que já estava meio velho, e tinha alguns rabiscos de caneta… Mas quem estava ligando?

A questão é que sempre que eu tive uma certeza estranha de que alguma coisa iria acontecer, a coisa acabou acontecendo. E sei o quanto isso soa como “tenha pensamento positivo”, mas a idéia não é essa. Não é uma certeza de “eu consigo tudo, eu sou capaz”. São coisas simples como jogar WAR e ter um sentimento de que vai sair 4, 4 e 3, e realmente sair isso.

A coisa é um pouco involuntária, mas depois que eu sinto, acaba evoluindo praquilo mesmo. Exemplo? Tive essa sensação em 2003 quando li um panfleto sobre a UFV. Em 2004 passei para a UFMG, desisti e acabei vindo para Viçosa no ano seguinte. Eu não tinha planejado nada e só fui lembrar desse panfleto quando vi a lista de classificados no vestibular.

Isso aconteceu muito durante a minha vida. Aliás, grande parte das coisas boas que acontecem comigo foram “sentidas” muito tempo antes. Sempre falo com o Gustavo que senti que a gente ia ter algumas coisa quando nos conhecemos (mesmo tendo achado ele um chato a princípio), mas ele não acredita.

Só que é verdade. É tudo verdade. Eu realmente fiz ventar.

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