The Egg Man

25 10 2009

Ovos2

Levantou e olhou pela janela. Inspirou profundamente o ar gelado do dia-que-amanhece e prosseguiu com os preparativos. Lavou o rosto. Escovou os dentes. Limpou as unhas e comeu ovos no café da manhã. Vinte ovos.

Pensou em tirar o pijama, mas achou que seria dramático demais. Caminhou mais uma vez até a janela e saltou.

Ninguém entendeu absolutamente nada. Edmundo era um cara bonitão, 32 anos, cheio de mulheres aos seus pés e completamente apaixonado por uma mocinha delicada com quem iria se casar em breve. Sem contar que havia acabado de ser promovido na empresa e já tinha recebido mais duas propostas milionárias. Saúde? Perfeita. E a família ia muito bem, obrigado. Mãe, pai, irmãos, cachorro e papagaio. Todos felizes, saudáveis e orgulhosos do Edmundo prodígio.

O Edmundo prodígio que pulou.

Mas pulou por quê?

No velório, um sujeito clamou – aos prantos! – que o Ed havia atingido o apogeu da vida e já não desejava mais nada. A mãe quase desmaiou de tristeza pela plenitude do filho. As outras pessoas balançaram a cabeça em sinal de aprovação. O sucesso era o único motivo possível.

Ledo engano.

Alguns dias depois, encontraram um bilhetinho no apartamento:

“Eu sempre quis virar omelete. Hoje o sol e o asfalto estão propícios.
Adeus. Eggmundo.”

(texto de 2006)

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