De repente

25 10 2009

avos

Nunca acreditei no de repente. Para mim, as coisas sempre tiveram que ser construídas. Nada de surpresas e atitudes impulsivas. Férias perfeitas? Três meses de planejamento prévio. Amor? Pra mais de dois anos.

Até que um dia, como outro de qualquer primavera, eu estava andando e esbarrei no sujeito. Quando vi, nos apaixonamos, ele me deu um anel e estávamos correndo para o hospital porque a bolsa tinha estourado. Pisquei os olhos. As crianças formadas, o funeral do velho e eu aqui falando para os netos tomarem cuidado: chega uma hora na vida em que tudo é de repente.

(texto de 2006)

Anúncios




The Egg Man

25 10 2009

Ovos2

Levantou e olhou pela janela. Inspirou profundamente o ar gelado do dia-que-amanhece e prosseguiu com os preparativos. Lavou o rosto. Escovou os dentes. Limpou as unhas e comeu ovos no café da manhã. Vinte ovos.

Pensou em tirar o pijama, mas achou que seria dramático demais. Caminhou mais uma vez até a janela e saltou.

Continue lendo »





Do outro lado

23 03 2009

20070906012033_doorknob-7001

Liana hesitava diante da maçaneta do quarto. Sabia que, do outro lado, ele estava com outra mulher. Sabia que não era esperada àquela hora e que surpreenderia os dois no ato da traição. Tinha certeza de tudo. Mas ainda assim, hesitava. Enquanto não girasse a maçaneta, ainda havia uma última esperança de que ele fosse fiel.
Continue lendo »





O plano

18 03 2009

vassoura

Hoje eu estava correndo andando no meu ritmo habitual, quando topei com uma duplinha de tartarugas. As duas sujeitas andavam sem pressa e não pareciam muito interessadas em me deixar passar. O passeio era delas. Eu já começava a me irritar quando pesquei uma frase no meio da conversa…

A conversa

Com um salário daqueles, como é que ia alimentar três filhos?

A situação

Augusta estava desempregada há três meses. Tinham pegado ela roubando comida da despensa.  Mas também… com um salário daqueles, como é que ia alimentar três filhos? Roubou mesmo! E agora estava ali sem emprego e sem despensa.

Continue lendo »





Oh! L’amour!

16 03 2009

Dando continuidade à seção de conversas pescadas nas ruas, no dia 18 de junho do ano passado eu estava indo assistir ao espetáculo do Grupo Galpão no Centro de Vivências da UFV. No caminho, passei perto de duas garotas. Como falavam muito alto, pude ouvir uma parte da conversa que logo anotei no bloquinho…

A Conversa

Aí ele falou: e essa voz de macho aí? E eu: é o pai dela!

A Situação

Mariana (vamos chamá-la de Mariana), conheceu Antônio em fevereiro. Ele tinha acabado de perder 23 quilos e nunca havia recebido tanta atenção feminina em toda a sua vida. Ainda assim, largou a sua breve vida de Don Juan para namorar Mariana. Foi sua primeira namorada.

Continue lendo »





O Clube

16 03 2009

Sempre que procuro conversas interessantes para pescar, só encontro interjeições (Nossa! Sério? Verdade? Cruzes!). Não adianta procurar. As frases aparecem quando a gente menos espera.

Foi assim sexta passada. Estava indo tomar café da manhã na padaria quando ouvi um negócio que me deixou intrigada. Eram duas senhoras conversando. Senhoras classe média alta. Senhoras 50-anos-pra bem-mais.

A conversa

“se você dançar mais de 4 minutos com a mesma pessoa…”

A situação

Vamos chamá-las de Margarida e Imaculada. Margarida é viúva há mais de dez anos. Não sofreu quando o marido bateu as botas. Era um chato de galocha – costuma dizer. Aliás, foi depois que ficou viúva que começou a aproveitar a vida direito. Aulas de pintura, yoga, pilates, culinária… e o clube. Aliás, era do clube que ela estava falando.

Continue lendo »





A mutante mineira

16 03 2009

Sabe quando você está andando pela rua e sem querer (sem maldade nenhuma) acaba pescando trechos de conversas alheias? Pois é… Então… para aumentar o número de categorias de posts ali do lado, resolvi começar a postar as conversas que escuto pela metade nas ruas. Não garanto que vá sair nada interessante, mas vou tentar.

Contudo, nesse primeiro post não vou contar uma conversa que eu ouvi – mesmo porque, a última que eu consegui pescar era algo como “Vão? Vão. Quanto tá? Sei lá…”

Tudo bem que eles poderiam estar combinando de ir a uma rinha secreta de crianças de três anos geneticamente modificadas com orelhas nas costas que soltam raios pelas narinas e lutam até a morte (ou até a hora da soneca).

Tá bom. Parei. Do que eu estava falando mesmo?

Continue lendo »