De repente

25 10 2009

avos

Nunca acreditei no de repente. Para mim, as coisas sempre tiveram que ser construídas. Nada de surpresas e atitudes impulsivas. Férias perfeitas? Três meses de planejamento prévio. Amor? Pra mais de dois anos.

Até que um dia, como outro de qualquer primavera, eu estava andando e esbarrei no sujeito. Quando vi, nos apaixonamos, ele me deu um anel e estávamos correndo para o hospital porque a bolsa tinha estourado. Pisquei os olhos. As crianças formadas, o funeral do velho e eu aqui falando para os netos tomarem cuidado: chega uma hora na vida em que tudo é de repente.

(texto de 2006)